segunda-feira, julho 18, 2005

Fim

Este será o meu último post no Quiet Days in Styria. Hoje foi o último quiet day in Styria, pelo que o blog deixou de fazer sentido.
Encontro-me neste momento no Burger King do aeroporto de Zurique. Não é a primeira vez que aqui estou. É a quarta vez que o stop over é em Zurique e, em todas as quatro vezes, comi neste restaurante maravilhoso.
Vou dizer uma coisa óbvia. Não consigo acreditar que este ano acabou. Tenho a sensação que voou, embora saiba que não. Tantas vezes quis que este momento chegasse depressa. Tantas vezes quis que se demorasse. E agora sinto-me apática. Não sei o que pensar, se ria, se chore. Foi um ano intenso, rico em experiências, desgastante em algumas alturas, absolutamente perfeito noutras.
Como não sorrir ao pensar na chegada a Veneza, a sensação de estar noutro planeta, o arrastar dos meus 40 kgs de bagagem pelas pontes e escadas de Giudecca, completamente desorientada num labirinto totalmente desconhecido. Pouco a ponto a estranheza foi desaparecendo mas, apesar das óptimas recordações do Lido, para onde me mudei passado um mês, a bucólica Veneza é a que fica gravada na memória. O Inverno frio e húmido, o vento cortante na minha cara ao percorrer a Riviera San Nicolo em direcção ao Mosteiro com o mesmo nome onde tinha as aulas. A melancolia de uma outrora luxuosa estância balnear, hoje decadente e, de qualquer forma, deserta no Inverno. A presença de 90 estudantes a falar línguas estranhas, todos com uma ridícula mochila cor-de-laranja não passou despercebida.
O momento alto do ano foi, sem dúvida, a viagem de estudo que fizemos ao Kosovo. Não posso dizer que tenha visto a guerra de perto, mas descobri-a na cara e no sorriso dos Kosovares. Pristina foi uma agradável surpresa. Um sítio onde não me importaria de passar uma longa temporada. O potencial humano é enorme, a larga maioria da população tem menos de 25 anos. Sinto uma impaciência e uma desmotivação aflitiva nas caras bonitas das jovens que nos recebem. Isso e uma condescendência educada quando se fala em viver em paz com quem há pouco tempo lhes matava, violava e torturava os familiares. Embora, no fundo, saibam que não há bons nem maus em toda esta confusão, apenas fortes e fracos. Os fracos do passado são os fortes do presente. E o adjectivo vai-se tornado tão relativo à medida que o tempo vai passando…
Os quiet days in Styria que se seguiram foram mesmo isso – tranquilos. Assombrados pela insegurança de ter de fazer uma tese de 30 000 palavras em quatro meses, com um tema considerado pouco simpático por um orientador, esse sim, muito simpático, mas tão pouco eficaz…
As coisas acabaram por correr bem e os quatro meses revelaram-se suficientes, para o que a minha parca vida social muito contribuiu. A Áustria não é um país pelo qual tenha particular simpatia ou carinho. Gosto de cidades grandes e rapidamente perdi o fascínio por tanto verde. Os highlights da Áustria, não necessariamente por esta ordem:

1. O pão (a sério, em mais lado nenhum tanta variedade e tão bom. Para uma viciada em pão com manteiga este tinha de vir em primeiro lugar)
2. As viagens de comboio
3. VIENA!
4. A organização e a funcionalidade que não se tornam aborrecidas, um equilíbrio difícil de conseguir, perguntem aos Suíços.
5. Graz. Uma cidade à qual falta um bocadinho de personalidade, na minha opinião, mas onde não é difícil uma pessoa sentir-se bem.

Tento convencer-me que ainda não acabou, afinal ainda temos a defesa da tese em Setembro, um reencontro onde tudo começou, no Salão Nobre do Palazzo Ducale. Mas não. Acabou mesmo. Isso será apenas um fim-de-semana em que curtiremos todos uma alegre nostalgia. Vou buscar uma jola e brindar sozinha a uma nova fase que se quer iniciada com optimismo. Nova cidade, desta vez a minha, novo emprego, novos amigos, velhos amigos, novos membros na família… TU.

The End


(Escrito a 15 de Julho)

sexta-feira, julho 15, 2005

Aaeroporto de Graz. Pequenino, moderno, preocupacoes arquitectonicas. Internet gratis. Teclado sem acentos. Nao se pode ter tudo. Adivinho a estranheza da volta definitiva. Queria que isso nao acontecesse. So quero ver quem me fez falta e que isso baste. Quero que a estranheza fique aqui.
hoje, ota, 12h15... ja nao e bem hoje, portanto. E mais amanha...

segunda-feira, julho 11, 2005

Untitled

Invade-me sempre uma sensacao estranha quando termino qualquer coisa que exigiu muito de mim. O vontade de terminar o trabalho e o adivinhar da euforia que vem com o fim acabam por dar lugar a uma sensacao de vazio. Nao sei explicar. Foi muito esforco, muita vontade que acabasse. Agora que acabou, que é que há para fazer?
Relax?

How this quiet chick is feeling today (3)

How this quiet chick is feeling today (2)

Cantanto New York, New York (deu-me para aí... podia ser pior) no Campus.

How this quiet chick is feeling today



Printing

domingo, julho 10, 2005

M., a Africana (2)

Sempre que estou fora de Portugal e o assunto do colonialismo vem à baila, assumo um comportamento que me repugna. Pessoas que sabem pouco sobre o assunto insistem em procurar em mim um sentimento de culpa pelos pecados da terrível potência colonizadora que outrora foi o meu País. Esse sentimento não existe em quem sempre ouviu histórias felizes e engraçadas da vida tranquila e saudável que existia nas colónias até ao dia terrível. Os Holandeses, esses sim foram sanguinários. Nós, com os nossos brandos costumes, éramos uns gajos porreiros que tratavam bem toda a gente. Distinções? Claro que as havia, mas eram fundadas num elitismo justificado. Afinal nós tínhamos dinheiro e educação e eles eram pessoas simples e analfabetas. Mas mesmo assim a nossa condescendência era simpática. Muito pior ficaram depois daquele dia fatídico.
E eu lá vou tentando rebater os números absurdos que me lançam à cara, as carnificidas imaginárias que me apontam. Por muito exagero que haja nestas criaturas, a verdade é que eu também imagino uma realidade que não existiu. A verdade é que o bias existe e ultimamente me sufoca.

M., a Africana

Ontem tive uma conversa interessante com um jovem de Cabo Verde. Quando nos apresentaram eu mencionei que a minha família do lado do pai era de Cabo Verde. Fi-lo menos pelo interesse de explorar o assunto do que para ser gentil, para ter um assunto de conversa e estabelecer algum tipo de relação. Obviamente, funcionou. E algo desconcertante aconteceu. E. falava sempre assumindo que o meu interesse por Cabo Verde era o de alguém que, de certa forma, ERA de Cabo Verde.
O meu interlocutor estava longe de ser ingénuo a ponto de, num segundo, nos considerar compatriotas nostálgicos de uma Pátria distante, nada disso. Percebeu perfeitamente o que eu lhe disse. Adivinhou a história da minha família, aliás, igual à de tantas outras. Mas pareceu-lhe lógico que eu, descendente de pessoas que, de facto, ERAM de Cabo Verde, sendo que uma delas existe e faz parte da minha vida, tivesse uma ligação ao país. Que o encarasse de alguma forma como “as minhas raízes”. Simplesmente era um dado adquirido que eu era uma d’ “as pessoas de Cabo Verde”.
Tenho de dizer que tudo isto está muito longe de ser a verdade. A minha realidade é a de descender de uma família que vem de um sítio que deixou de existir. Essa é a minha origem. Isso é o que me foi incutido desde que nasci. Fala-se muito desse sítio que deixou de existir. Chora-se e ri-se desse lugar maravilhoso que desapareceu. Mas E. quis mostrar-me que isso está longe de ser uma verdade absoluta. E por isso lhe agradeço. Por isso fico a pensar.

sábado, julho 09, 2005

Últimos Dias

"Free Speech" or "Cheap Talk"?
A Law and Economics Approach to Human Rights

Já não sei escrever

Jornais, nesta bela língua que tens como progenitora; journals, nesta língua de bárbaros em que és forçada a trabalhar. Não é journais nem jornals. Pronto. Inspira, expira; o céu é azul, a relva é verde e o quiet days in styria é cor-de-rosa...

sexta-feira, julho 08, 2005

The Day After

It was the best of times, it was the worst of times.

Charles Dickens, A Tale of Two Cities.

untitled

Para não pôr o que primeiro me ocorreu.

Este caiu a um escasso metro da minha cabeça (que ainda me faz falta por alguns dias)


Ok, foi um dos pequeninos... Mas mesmo assim...

Por caminhos

por vezes tortuosos

E depois é a subir

Coisas que só se véem neste país















Antes de subir a cascata, por a moedinha no cilindro. Ou melhor, as suficientes para prefazer o total previsto no placard para a sua categoria (estudante, criança, etc). Ninguém à vista. Óptimo esquema, poupa-se em mão-de-obra*.

*O esquema é usado noutras situações. Os journais estão num saco no meio da rua. Quem os quiser pode por a moedinha numa caixinha que se encontra ao lado do saco e, em seguida, retirar o journal. Se retirar o jornal sem por a moeda, nada acontece, mas isso parece só passar pela minha cabeça.

The Last Paragraph. Defensive?

It would be a strange and irresponsible suggestion to urge that the Court’s interpretation should always follow the economic approach or, at a more general level, that the human rights theory should anchor itself in a pure economic reasoning. However, some good reasons were advanced that support our main argument that economic concepts and methods can be useful when dealing with human rights issues. Even though the implications for legal reform, particularly in the selected case study, might be limited, the economic analysis provides a considerable challenge to conventional thinking. Regarding the right to freedom of expression, the application of the economic theory served an important explanatory role for some solutions adopted by the Court and provided us with some suggestions regarding particular fields that seem to cause problems to the EctHR, as in the case of commercial speech.

quarta-feira, julho 06, 2005

Programa das festas

Declaro aberta a temporada da música na Wormgasse 8. Começamos com um Scarlatti básico e amanhã tentamos um Bach simples. A violista que me acompanha terá de encher-se de paciência.

Trálálá

Parabéns à Ch@p@ que faz hoje 24 aninhos!